Feliz Ano Novo
Naqueles tempos, eram meninos, meninas e mães andando pela estrada no primeiro dia do ano. Avôs, avós e famílias inteiras em cima da área ou debruçados em janelas, esperando a chegada das crianças, para manter a tradição de desejar: feliz ano novo!
Os mais pequenos levantavam cedo, pegavam sua sacola e saíam pelas estradas, com suas perninhas rápidas, se fazem espertos para arrecadar doces, dinheiro, chocolate e outras coisinhas que as famílias preparam. A tradição, bonita, antiquíssima, fez parte da infância de muitos, que agora levam filhos, sobrinhos, netos, para ganhar estes doces, mas mais de tudo pelo encantamento e energia que encontram em cada família, em todos os olhares e risadas.
Antigamente, as famílias costumavam fazer biscoitos. Eram preparados com ovos, farinha de trigo, leite, banha, açúcar, manteiga e para crescer usavam sal-amoníaco. As mulheres espichavam a massa o rolo. O mesmo instrumento que usavam na confecção da massa taiadele, depois cozinhavam no forno, com lenha de capoeiras. O dia de fazer biscoitos era como uma festa. Não havia gás de cozinha, nem luz. Senhor Bendito, quanto esperar pela primeira fornada. Mas depois de cozidos, eram colocados na cesta, escondidos, pendurados altos. Assim, as crianças não alcançavam para comer.
No primeiro dia do ano, as crianças levantam cedo e… iam pelas famílias. Ainda escuro, para desejar Feliz Ano Novo! Os donos das casas vinham para fora com cestas cheias de biscoitos, bonitos e saborosos. Comiam de gosto, de boa vontade e agradeciam de coração. Muitas vezes enchiam a boca, de modo a encher o estômago. Colocavam dentro de um saquinho de açúcar ou de pano. Depois, para acompanhar os maiores, precisava correr, muitas vezes cair nas pedras, raspar joelhos. Havia famílias que preparavam um aperitivo, um drinque de cachaça, frutas e açúcar. Que coisa! Muito boa.
Então, as crianças se encorajavam. Olhavam-se, entre eles, e bebiam a tal da bebida doce.
Depois, com o passar do tempo, melhorou a oferta das famílias. Apareceu os doces com anel pendurado. Nos dias de hoje não tem mais biscoitos, nem bebida para as crianças. Imagina só, uma coisa dessas! Poucas são as vilas do interior que mantêm essa movimentação. Mas de fato, a beleza está no sentimento de cada um daqueles que persistem na tradição, admirável e cheia de pureza.
As fotos são de Renata Valiátti nas comunidades de: Silva Jardim e da Capela Santa Ana
Bon princìpio del ano
In quei tempi, i era toseti, tosete e mame via par le strade ntel primo di del ano. Noni, none e fameie intiere insima el ària o fora par la finestra, che i speta rivar sti cei, par mantegner la tradission de dirghe: Bon Princìpio del Ano!
Quei pi cei i levea su bonora, i se tolea su la so bissaca e, via par le strade, cole so gambete svelte, farse furbi par tor su dolsi, soldi, ciocolata e altre robete che le fameie le pareciea. La tradission, bela, antighìssima, la ze stata parte dela infànsia de tanti che, adesso, i porta i fioi, i nipoti, par guadagnar sti dolsi, ma, depì de tuto, par proar el tanto de incantamento e energia che ghe ze in cada fameia, in tute le rideste e le vardade.
Sti ani, le fameie le costumea far i dolsi de pasta (biscoti). I zera impastai con ovi, farina de formento, late, grassa de porco, sucro, butiro e, par farli levar, el salmoniaco. Le done le stirea sta pasta cola méscola. Quela che doparea par far le taiadele, la pasta suta, dopo i li cosinea ntel forno, con legna de scapoere. El di de far sti biscoti el era come na festa. No ghera gas de cosina, gnanca luce. Signor Benetedo, quanto spetar la prima fornada. Ma dopo de coti, i era metesti ntela sesta, sconti, picai su alti. E i tosatei mai più i ghe rivea par magnarli.
Ntel primo di del ano, i tosatei i levea su bonora e… via par le fameie. Ancora scuro, par dirghe el Bon Princìpio del Ano! I paroni i vegnea fora con na pignata piena de biscoti, bei e pròpio boni. Se li magnea de gusto, volontiera e se ringrassiea de vero cuor. Tanti colpi, i impienia la boca, robe de imbugarse. Se li metea rento nte una bissaca de sucro o de strasso. Dopo, par starghe adrio a quei pi grandi, tochea corer, quanti colpi cascar su par i sassi, speloni su par i denòcii. Ghera fameie che le prontea una tastada del cichetode caciassa, fruti e sucro. Che bela roba! Tanto bona.
Lora, i tosatei i se fea anca coraio. I se vardea fra de lori e i bevea de sta caciasseta dolsa.
Dopo, pi avanti, ga meiorà la oferta dele fameie. Ga vegnesto fora i dolsi col aneleto picà su. Ntei di de ancoi no ghe ze mia pi sti biscoti, gnanca la caciasseta par i cei.Vardé sol se ze laori. Ciari i ze i paesi del interior che i fà ancora questa movimentassion. Ma, infati, la belessa la ze de star ntel sentimento de cada un de quei che i seita mantegner la tradission, amiràbile e piena de puressa.