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Religiosidade

Semana Nacional das Migrações: migração e moradia


Na semana de 14 e 21 de junho, a Igreja do Brasil, fiel a sua tradição de ser advogada da justiça e defensora dos pobres (DAp 395) promove a 41ª Semana Nacional das Migrações. A semana é organizada pelo Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM), vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e tem como tema “Migração e Moradia” e o lema “Eu não tenho onde morar”, dialogante com a Campanha da Fraternidade 2026, refletida especialmente no período quaresmal.

É importante compreendermos que o direito à moradia digna é o começo de uma vida digna marcada pelo acesso a outros direitos fundamentais da pessoa humana. A pessoa que migra busca a sobrevivência e busca o lugar para estabelecer o referencial na luta pela sobrevivência, a moradia ou o território de vida. Então, a migração tem várias dimensões a serem compreendidas intercaladas. É ação humana, troca de dons, lembra a transitoriedade da nossa vida terrena, é oportunidade pastoral para a Igreja.

Enquanto ação humana, compreende-se que historicamente a pessoa busca deslocamento em vista de melhores condições e vida. A Sagrada Escritura lembra a experiência de Abraão que, confiando na promessa de Deus, migrou em busca de terra e descendência (Gn 12,1ss). Também Moisés foi convidado por Javé a liderar o seu povo a fim de deixar a escravidão no Egito em direção à terra onde corria leite e mel (Ex 3,7-10. A migração humana acontece sobretudo em vista de melhores condições de vida e não é diferente em tempos atuais e nas diferentes regiões do mundo.

A ação migratória também é troca de dons. Quem recebe migrantes tem a oportunidade de oferecer algo, um lugar para construírem as condições de sobrevivência, que começa pela moradia. Pode oferecer mais, a acolhida afetuosa desprovida de preconceitos, como Abrão fez com os viajantes que passaram pela sua casa (Gn 18,2-8). É a atitude de colocar a estrutura, e a existência a serviço de quem chega, dom oferecido gratuitamente.  Mas quem chega sempre tem algo a oferecer e isto extrapola a mera troca econômica. Oferece possibilidades de alargamento do horizonte cultural, do acolhedor ver o mundo com outros olhos. Acolhe estes dons quem abre a mente e o coração para quem chega. Não é concebível a construção de muros físicos e imaginários que impeçam esta troca de dons. A Copa do Mundo tem expressado isso através do futebol porque as seleções ditas nacionais têm nos seus quadros jogares oriundos de diferentes nacionalidades. O país que no passado acolheu os avós ou pais desses jogadores os têm agora defendendo suas bandeiras.

Na perspectiva teológica a migração lembra que nós que somos peregrinos nesse mundo. É a transitoriedade da nossa vida terrena, compreendendo que nossa estadia aqui é passageira. Nossa moradia definitiva é a pátria celeste, como o Mestre de Nazaré prometeu (Jo 14,3).  Enquanto peregrinos neste mundo, moradia temporária, somos vocacionados a viver com dignidade e contribuir para que todos possam viver também com dignidade especialmente aqueles que se deslocam com este objetivo.

O serviço das migrações é oportunidade pastoral para a Igreja viver o seu compromisso de fidelidade a Jesus Cristo, colocando-se ao lado do mais fragilizados como Ele mesmo afirma: era forasteiro e me recolhestes (Mt 25,35). Ao colocar a sua estrutura pastoral a serviço dos migrantes a Igreja assume essa condição que é também constitutiva da sua identidade.  A Conferencia de Aparecida (2007) assinala a necessidade do acompanhamento pastoral dos migrantes (DAp 414). E isso se expressa na acolhida humanitária e pastoral aos que se deslocam para que possam ter condições de vida digna.

A semana Nacional tendo como tema a “migração e moradia” lembra o compromisso de todos os cristãos com acolhida e acompanhamento das populações migrantes. É compromisso de fé.


Data: 18/06/2026 12:59:20
Autor: Por Elisabete Gambatto / Pe. Ari Antonio dos Reis / Imagem Divulgação Arquidiocese de Passo Fundo
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