Portas chamuscadas, pedaços de reboco soltos, cinzas pelo chão, cheiro de queimado no ar. Esse é o cenário no interior da Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes, a principal de Flores da Cunha, um mês depois do incêndio que a destruiu, em 25 de maio.
As chamas, que se iniciaram no teto, danificaram o telhado, que desabou sobre a mobília e sobre os demais artigos que estavam dentro da igreja. Paredes e vitrais também foram danificados, restando apenas o altar, construído em cimento, e poucas imagens santas, que eram guardadas em estruturas de vidro. As causas do incêndio ainda não foram indicadas.
Após o incêndio, empresários locais e o poder público se uniram para elaborar um plano de recuperação. Liderados pelo empresário Neco Argenta, o grupo, agora denominado Associação dos Amigos da Paróquia de Nossa Senhora de Lourdes, projeta que a igreja esteja recuperada até dezembro do próximo ano.
A primeira etapa deste longo processo aconteceu no último fim de semana, quando um grupo de voluntários promoveu um mutirão de limpeza. Escombros, cinzas e materiais danificados foram retirados. Entre eles foram resgatados bancos, dois confessionários e imagens sacras que resistiram ao fogo.
Paralelamente a isso, a associação trabalha em parceria com a Dallemole Estruturas, que se comprometeu em projetar e instalar o novo telhado da igreja. Na próxima semana, o tapume das obras será instalado, marcando o início dos trabalhos dentro do templo.
Também está prevista para o início de julho a entrega aos bombeiros do laudo técnico conclusivo que comprova a segurança estrutural. Desde 25 de maio, o espaço está interditado.
A previsão é que a igreja matriz seja reaberta ao público em 27 de dezembro de 2027.
Na terça-feira (30/06), uma equipe da MAP3D estará em Flores da Cunha para fazer o escaneamento da igreja. Com sede em Porto Alegre, a empresa é especializada em levantamento tridimensional de edificações, utilizando laser scanner e drones para captar todas as dimensões e detalhes do espaço. O procedimento funciona como um “raio X digital” da construção e permite gerar um modelo 3D detalhado da estrutura.
Esse mapeamento é fundamental para identificar características arquitetônicas, danos e pontos estruturais, servindo como base para os projetos de reconstrução e restauro, que serão desenvolvidos por outra empresa da Capital.
A Arquium Construções e Restauro foi a contratada pela associação para estruturar os estudos. O escritório assina outros projetos de importantes igrejas gaúchas, como o restauro da Igreja Matriz de Nova Prata, da Capela do Santo Sepulcro, em Caxias do Sul, e a Basílica Nossa Senhora das Dores, em Porto Alegre.
Os elementos decorativos, como desenhos e padrões, serão analisados um a um no próprio prédio, para que se possa avaliar o que pode ser aproveitado e como a reconstrução poderá ser feita.
Ainda que as paredes estejam danificadas, entre o reboco que se desprende, é possível observar pinturas que estavam sobre o revestimento, possivelmente originais e esquecidas entre as reformas executadas, indica Vivian Schiavenin, arquiteta de Flores da Cunha que integra a associação:
— Essa igreja passou por duas grandes reformas, uma em 1975 e outra nos anos 2000. Agora, vamos em busca de registros que nos ajudem a entender como era em outras fases, para guiar o restauro. O curioso é que, apesar dessa situação, observamos traços nunca vistos, como os tijolos arredondados, usados na construção das pilastras.
No mês que sucedeu o incêndio, a comunidade de Flores da Cunha foi acolhida para as missas no Salão Paroquial. Desde a última terça-feira 23 de junho, as celebrações passaram a ser feitas na igreja do bairro São José, onde a capacidade é de cerca de 500 pessoas.
Em 26 de maio, um dia após o incêndio, técnicos do Instituto-Geral de Perícias (IGP) avaliaram o local. A leitura inicial do cenário indicou que o fogo se iniciou no teto e se estendeu pela estrutura, tendo elementos de madeira como combustível. No entanto, as causas do incêndio não foram indicadas.
Conforme o coordenador do IGP, Airton Kraemer, a análise deve ser concluída na sexta-feira (26) e remetida à Polícia Civil para que conduza as investigações.
Na mesma semana em que a igreja foi atingida pelo incêndio, o poder público e a Diocese se uniram para iniciar a captação de recursos que viabilizassem a reconstrução.
A campanha via chave PIX já arrecadou R$ 555 mil. As doações seguem abertas e podem ser feitas pela chave igrejafloresdacunha@gmail.com, em nome da Associação Comunitária Fenavindima.
Outros R$ 42.976,00 foram destinados pela prefeitura, referentes aos lucros do 2º Festival Vinhos e Menarosto, realizado durante o feriado de Corpus Christi.
Consultada, a Associação dos Amigos da Paróquia de Nossa Senhora de Lourdes informou que ainda não tem um custo estimado para a reconstrução total. Os valores aproximados deverão ser anunciados assim que os projetos forem entregues pela empresa contratada.